
04/12/2009

03/12/2009
22/11/2009

20/11/2009

Não sei quantas almas tenho. Cada momento mudei. Continuamente me estranho. Nunca me vi nem acabei. De tanto ser, só tenho alma. Quem tem alma não tem calma. Quem vê é só o que vê, Quem sente não é quem é, Atento ao que sou e vejo, Torno-me eles e não eu. Cada meu sonho ou desejo É do que nasce e não meu. Sou minha própria paisagem; Assisto à minha passagem, Diverso, móbil e só, Não sei sentir-me onde estou. Por isso, alheio, vou lendo Como páginas, meu ser. O que soque não prevendo, O que passou a esquecer. Noto à margem do que li O que julguei que senti. Releio e digo : "Fui eu ?" Deus sabe, porque o escreveu. Fernando Pessoa

Poema em linha reta
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Fernando Pessoa
18/11/2009

Existe uma ponte. Existe um sim. Existe um lago. Existe um fundo. Existe um horizonte. Existe uma bola. Existe um coração. Existe um batimento. Existe um corpo. Existe um movimento. Existe uma respiração. Existe uma vida. Existe uma chance. Existe um precipício. Existe um momento. Existe um tempo. Existe um por que. Existe uma resposta. Existe um principio. Existe um fim. Existe uma escolha. Existe um não. Existe você. Existo!
Fabiane Rivero Kalil
16/09/2009

27/07/2009
28/01/2009
Ciclo
Lugar, olhar
Lugar, visto
Lugar, instinto...
Encontro
Desencontro
Tempo --------------------- espaço
Você, eu...e...eu
Ritmos, batidos
Indo e vindo
Idas e vindas
Vidas,... vividas
Movimentos que movem
Ventos que acolhem
Que acolhem
e recolhem
encolhem
olhem
em
me
e....
Fabiane Rivero Kalil
12/01/2009
FELIZ 2009!
Movimentos, carros, luzes, informações em cada milímetro de asfalto... Confesso que fiquei um pouco tonta e minha cabeça doeu levemente com o peso da cidade grande.
Percebi esse fato quando entrei no shopping. Não sei se foram as luzes que me hipnotizaram, ou se foi ar rarefeito que fez meu cérebro perder a capacidade de pensar, só sei que senti um desejo incontrolável de consumir coisas inúteis. Não importa quem ou o que foi o culpado, só sei que, inexplicavelmente, comprei um cofre no formato de um porco de pelúcia que canta "my only sunshine" toda vez que vc coloca uma moeda nele. Fantástico!
Fim de ano é o paraíso fiscal da política brasileira. Afinal, para que falar de crise, guerras e efeitos colaterais causados pelo desequilibrio ambiental, se está chegando o carnaval? Para quê? Eu não vejo motivo algum para parar de sermos o que somos, agir como agimos, afinal, o próximo ano chega rápido... E viva a fanfarra! E feliz ano novo, que 2009 seja melhor que 2008... Ops! Déjà vu!...
Fabiane Rivero Kalil
09/01/2009
CER
Sentir e... transformar!
Palavras ditas
Palavras escritas
Palavras mudas
musicadas...
Porém cheias de cheiras com cerejas...
Ventos em loco
nem movem...
O sentido
que a cada dia é dito
editado...
tato!
Fabiane Rivero Kalil